De todos os números que entram num projeto viário, o fator de manutenção costuma ser o menos discutido. A geometria é debatida, a fotometria é escolhida com critério, a classe da via é justificada por norma, e então alguém digita 0,80 no campo do software porque foi assim no projeto anterior. Esse número sozinho decide se a via vai atender a norma daqui a seis anos ou se vai estar quinze por cento abaixo do mínimo sem que ninguém perceba, porque nada quebrou e nenhuma luminária apagou.

O que o fator de manutenção realmente representa

O fator de manutenção é a razão entre a iluminância média que a instalação produz ao final de um período determinado e a iluminância média que ela produzia quando nova, nas mesmas condições. É sempre menor que um. A tradição norte-americana chama a mesma ideia de light loss factor, com siglas diferentes para os mesmos fenômenos, mas o conceito é o mesmo.

O ponto que mais gera confusão em projeto é que a NBR 5101:2024 trabalha com valor mantido, definido como o valor de uma grandeza ao final de um determinado tempo de operação da instalação, considerando o fator de manutenção geral. Todos os valores de iluminância e luminância das tabelas de classe são valores mantidos. Isso significa que a instalação nova precisa entregar mais do que a tabela pede, exatamente na proporção de um sobre o fm. Um projeto de classe que exige 20 lux mantidos, calculado com fm de 0,80, precisa entregar 25 lux na inauguração. Quem mede a via recém-energizada e comemora por estar acima da norma está lendo o número errado, e quem projeta para 20 lux iniciais entrega uma via que já nasce condenada a sair de conformidade.

A norma não publica uma tabela de valores de fm por tipo de via ou por produto. Ela estabelece o conceito de valor mantido, mantém o critério histórico de que a manutenção deve ocorrer quando a iluminância média atinge 70% do valor inicial, e deixa a composição do fator para o projetista justificar. É por isso que esse número circula como valor de hábito: a norma exige que ele exista, mas quem precisa defender de onde ele veio é o projeto.

A decomposição

O fm não é um valor atribuído, é um produto. Para iluminação viária:

fm  =  LLMF  ×  LSF  ×  LMF

depreciação do fluxo  ×  sobrevivência  ×  sujeira na luminária

O LLMF, lamp lumen maintenance factor, é a depreciação do fluxo luminoso do próprio LED ao longo do tempo. O LSF, lamp survival factor, é a fração de luminárias que continua operando no instante considerado. O LMF, luminaire maintenance factor, é a perda por sujeira acumulada no compartimento óptico. Em iluminação de interiores existe um quarto termo, o RSMF, que trata da queda de refletância de paredes e teto. Ele não aparece em cálculo viário porque a via é um plano aberto, sem superfícies do entorno devolvendo luz relevante para a pista.

Essa decomposição é o que separa um fm defensável de um fm inventado. Cada um dos três termos tem origem documental diferente, responde a uma variável diferente do projeto, e pode ser questionado separadamente numa análise técnica.

LLMF: de onde vem esse número

A depreciação do LED é medida pelo ensaio LM-80, que acompanha o fluxo de pacotes, módulos ou arrays de LED por no mínimo 6.000 horas, com leituras periódicas, em pelo menos três temperaturas de case. O LM-80 apenas mede, não projeta. Quem projeta é o TM-21, que ajusta os dados medidos a um decaimento exponencial:

Φ(t)  =  B · e^(−α·t)

α = constante de decaimento   |   B = fator de ajuste do intercepto   |   t = horas de operação

A constante α é interpolada entre as temperaturas ensaiadas pela relação de Arrhenius. Aqui entra a limitação que mais se ignora em catálogo. O TM-21 impõe um teto de extrapolação de seis vezes a duração do ensaio para amostras de vinte unidades, e cinco vezes e meia para amostras de dez. Um ensaio de 10.000 horas sustenta uma projeção reportável de 60.000 horas e nada além disso. O IES tratou o assunto em declaração formal de posição, afirmando que alegações de marketing que ultrapassam o limite de seis vezes são enganosas e não têm respaldo nas normas da entidade. Quando um catálogo anuncia 100.000 horas de vida sem informar a duração do ensaio que sustenta a projeção, o número está fora do método.

 

Curvas de decaimento para dois produtos, com o teto de extrapolação reportável de um ensaio de 10.000 horas.

O resultado desse ajuste é expresso numa notação que virou padrão de catálogo. Lx designa o tempo de operação em que o fluxo luminoso cai para x por cento do valor inicial, com o número acompanhando a letra e as horas vindo logo depois. L70 a 60.000 horas significa que, nesse tempo, resta 70% do fluxo que o produto entregava novo. A escolha do patamar de referência é convenção, não física: 70% se consolidou como o ponto em que a substituição passa a compensar economicamente, e a explicação corrente de que o olho humano só percebe queda a partir de 30% é frágil, porque a psicofísica trabalha com limiares de diferença perceptível bem menores que isso. O que sustenta a percepção baixa de uma perda dessa magnitude é ela ocorrer ao longo de anos, com o sistema visual se adaptando continuamente e sem nenhuma referência simultânea de comparação.

A partir daí a conversão para o cálculo é direta. O x do Lx é o próprio LLMF no instante considerado: L70 significa LLMF de 0,70, L80 significa 0,80, L90 significa 0,90. Quando o período de projeto é menor que a vida nominal declarada, é prática usual interpolar linearmente entre o valor inicial e o Lx declarado, uma aproximação de engenharia que costuma aparecer embutida em ferramentas de cálculo:

LLMF  =  1  −  ( h projeto / h nominal ) × ( 1 − Lx )

exemplo: L80 a 50.000 h, projeto avaliado em 40.000 h  →  LLMF = 0,84

O que o LM-80 não mede

O LM-80 ensaia o pacote de LED, não a luminária. Entre o componente no laboratório e o produto no poste existe um conjunto de perdas que o ensaio simplesmente não enxerga: amarelamento da óptica secundária em PMMA ou policarbonato, degradação do fósforo e do encapsulante nas temperaturas reais de operação, envelhecimento da vedação, e o próprio driver. O LLMF do sistema tende a ser pior que o do LED isolado. Existe metodologia para tratar isso, o TM-28, que projeta a manutenção de fluxo da luminária completa a partir do ensaio LM-84, feito no produto inteiro. Ela é bem menos comum em catálogo que o par LM-80 e TM-21.

A temperatura de campo é o ponto crítico em projeto brasileiro. A taxa de depreciação é termicamente dirigida, e a projeção de Arrhenius do TM-21 só vale dentro da faixa de temperaturas efetivamente ensaiadas. Uma luminária instalada numa via de cidade quente, com ar ambiente acima de 35 graus e insolação direta sobre a carcaça durante o dia, pode operar com temperatura de case acima da condição de ensaio. Se isso acontece, a projeção do catálogo deixa de ser aplicável, porque extrapolar Arrhenius para fora da faixa medida não é permitido pelo método. O instrumento que fecha essa lacuna é o ISTMT, o ensaio de medição de temperatura in situ, que mede o ponto de referência do LED dentro da luminária montada, na posição real de operação. Cadernos técnicos de concessionária brasileira já pedem esse confronto entre a temperatura medida e o certificado LM-80 do LED empregado, então o dado é obtenível de quem fornece.

LSF: quem falha é o driver

Em instalação LED o LED raramente apaga. O que apaga a luminária é o driver, por envelhecimento de capacitor eletrolítico, fadiga de solda por ciclagem térmica, ingresso de umidade ou surto. O LSF é a probabilidade de sobrevivência do conjunto no período considerado, e na prática é dominado pela confiabilidade do driver.

O caminho de cálculo parte do MTBF declarado pelo fabricante do driver, assumindo taxa de falha constante:

LSF  =  e^(−t / MTBF)

t = horas de operação no período de projeto   |   MTBF = tempo médio entre falhas

Um driver com MTBF de 750.000 horas avaliado em 50.000 horas de operação resulta em LSF de 0,936. O mesmo driver avaliado em 23.600 horas dá 0,969. Um componente de 203.000 horas, em cinco anos de operação a doze horas por noite, acumula 10,2% de falha. A diferença entre as pontas dessa faixa é inteiramente a qualidade de um componente que ninguém vê.

Esse cálculo tem uma fragilidade que convém declarar. A taxa de falha constante só vale no trecho plano da curva de confiabilidade, e a falha dominante em driver LED é envelhecimento de capacitor eletrolítico, que é desgaste, justamente o regime em que o modelo exponencial subestima a falha. Somando isso ao fato de que MTBF de folha de dados raramente vem de ensaio auditado, o LSF calculado assim deve ser lido como limite otimista, não como previsão.

Vale distinguir duas notações que aparecem juntas e são coisas diferentes. Em Lx By, o L descreve falha paramétrica, quanto de fluxo restou. O B descreve a fração da população que não atende ao critério. Um produto declarado como 50.000 horas L80B10 significa que, nesse tempo, 90% das unidades ainda mantêm ao menos 80% do fluxo inicial, e 10% ficaram abaixo disso. Quando só o Lx aparece, sem o B, assume-se B50, a mediana, com metade da população acima e metade abaixo do limite.

O regime de manutenção contratado muda como esse fator entra. Onde existe manutenção corretiva ágil, com substituição pontual assim que a falha ocorre, o LSF pode ser tomado próximo de um, porque a falha não permanece degradando o nível médio da via. Onde a substituição só ocorre em campanha programada ao fim do período, o LSF precisa entrar cheio no produto. É um dos poucos termos do fm que depende de contrato, não de produto.

LMF: sujeira

A CIE 154 fornece tabelas de LMF em função do grau de proteção do compartimento óptico, da categoria de poluição do ambiente e do intervalo de limpeza. Num ambiente de poluição alta, um compartimento IP6X com limpeza anual fica em 0,91 e cai para 0,83 quando a limpeza passa a trienal. O mesmo intervalo de três anos num compartimento IP2X despenca para 0,42, o que mostra o quanto a vedação óptica pesa nesse termo, bem mais do que a frequência da limpeza.

 

Valores de LMF da CIE 154 para poluição alta, por grau de proteção do compartimento óptico.

Existe uma ressalva importante nessas tabelas. Elas foram construídas na época das luminárias de descarga, com compartimento ventilado. É comum o argumento de que seriam conservadoras demais para um produto LED selado IP66. O dado de campo não confirma isso com o conforto que o argumento sugere: um estudo do PNNL publicado em 2019, acompanhando luminárias LED em três cidades americanas com climas distintos, concluiu que a alegação genérica de menor depreciação por sujeira em luminárias LED não foi sustentada pelos dados de ensaio daqueles projetos. O mesmo trabalho observou algo que o cálculo de fluxo total esconde, que é a sujeira alterar a distribuição de intensidade de forma desigual, com perdas acima de 25% em ângulos de pico. Isso degrada uniformidade antes de degradar a média, e uniformidade costuma ser o critério que reprova primeiro.

Essa observação tem uma consequência incômoda para o cálculo. O fm entra na simulação como multiplicador escalar sobre a malha inteira de pontos, o que significa que ele rebaixa a iluminância média e a mínima exatamente na mesma proporção e deixa a uniformidade calculada intacta. Um projeto com Uo de 0,42 no papel continua com 0,42 depois de aplicado qualquer fm. Só que a depreciação real por sujeira não é escalar, ela é angularmente desigual, e concentra perda onde a intensidade é máxima, que é o ponto do feixe responsável por sustentar o mínimo entre luminárias. O modelo esconde justamente o efeito que reprova a instalação primeiro, e nenhuma escolha de fm corrige isso, porque o problema está na forma como o fator é aplicado, não no valor dele.

Para via brasileira há ainda fatores que as tabelas europeias não modelam: maresia formando filme salino no litoral, poeira agrícola e de solo exposto no interior, e o acúmulo de insetos e dejetos de aves, que em algumas instalações é o mecanismo dominante de perda óptica e não aparece em nenhuma categoria de poluição da CIE.

Dimerização e CLO

A pergunta que aparece sempre que o projeto prevê telegestão é se dá para elevar o fm assumindo que a luminária vai operar dimerizada boa parte da noite. O mecanismo físico existe e é real: corrente de acionamento menor significa menos potência dissipada, temperatura de junção mais baixa e, por Arrhenius, depreciação mais lenta. Documentação de fabricante de LED mostra o efeito com clareza, com projeções de vida que crescem várias vezes quando a corrente cai de 700 para 350 miliampères. Vale a ressalva de que esse dado é de uma família específica de LED, e a própria fabricante registra que a dominância entre corrente e temperatura muda de produto para produto, então a regra não é transferível sem consultar o LM-80 do componente em questão. As revisões de 2019 e 2021 do TM-21 inclusive incorporaram modos de interpolação por corrente de acionamento e por corrente e temperatura simultâneas, justamente para permitir obter uma constante de decaimento correspondente a cada patamar de operação, sempre dentro da faixa efetivamente ensaiada.

O erro de projeto começa quando esse ganho é transferido para o fm do dimensionamento em plena potência. São dois efeitos distintos que a norma trata separadamente. O nível de luz durante a dimerização é questão de conformidade horária, e tanto a EN 13201 quanto a prática de reclassificação por horário exigem que a classe aplicável em cada patamar seja atendida como valor mantido naquele patamar. A depreciação de longo prazo é questão de LLMF. Embutir o ganho da dimerização no fator usado para dimensionar o pior caso é contar o mesmo benefício duas vezes, e o resultado é uma via subdimensionada exatamente no horário em que ela opera em potência plena, que é o horário de maior tráfego.

Há ainda dois complicadores práticos. A dimerização quase nunca cobre a noite inteira, ela segue um perfil, o que significa que o ganho de LLMF é uma média ponderada por horas em cada nível. Não existe procedimento normativo consolidado que entregue esse LLMF equivalente pronto: a abordagem correta passa por converter cada patamar em horas equivalentes através de um fator de aceleração e somar as frações, o que é engenharia fundamentada, não um método de norma com passo a passo publicado. E dimerizar não reduz a temperatura ambiente nem interrompe o envelhecimento por calendário da vedação e da óptica, que corre por radiação ultravioleta, umidade e ciclagem térmica diária, independentemente de quantas horas o LED ficou aceso e em que corrente.

O caminho que de fato sustenta um fm alto é outro: o CLO, ou fluxo luminoso constante. O driver é programado para elevar a corrente ao longo da vida na medida exata da depreciação, mantendo o fluxo de saída estável. Com CLO validado, o LLMF planejado tende a um dentro do período nominal, e o fm passa a depender apenas de sujeira e sobrevivência. Um exemplo de fabricante ilustra o salto: descontado o RSMF, que não vale para via, a mesma composição que dá 0,75 com L80 chega a 0,94 com CLO, sem mudar mais nada. O custo aparece na conta de energia, porque a potência cresce ao longo dos anos, e existe fator específico para contabilizar isso no cálculo de consumo. Além do fim da vida nominal a compensação se esgota e a depreciação volta a aparecer.

Três cenários, o mesmo produto

Vale ver o que essa composição faz na prática com uma única luminária, mudando só as premissas ao redor dela. Um cuidado antecede a conta: os três fatores precisam ser avaliados no mesmo instante. Multiplicar um LLMF de 50.000 horas por um LSF calculado para cinco anos e por um LMF de intervalo trienal produz um número que não corresponde a momento nenhum da vida da instalação, e é um erro fácil de cometer porque cada fator costuma chegar expresso na unidade de tempo que é conveniente para quem o forneceu.

Premissas (horizonte de avaliação)

LLMF

LSF

LMF

fm

Cenário 1 — 50.000 h (L80), poluição alta, limpeza trienal

0,80

0,936

0,83

0,62

Cenário 2 — 23.600 h (L90), poluição alta, limpeza anual

0,90

0,969

0,91

0,79

Cenário 3 — 50.000 h (CLO), poluição alta, limpeza bienal

1,00

0,936

0,88

0,82

 

No primeiro cenário, produto declarado L80 a 50.000 horas, período de projeto igual à vida nominal, driver de MTBF de 750.000 horas, compartimento IP66 em via urbana de tráfego intenso, classificada como poluição alta, com limpeza a cada três anos. Os três fatores avaliados nas mesmas 50.000 horas:

fm  =  0,80  ×  0,936  ×  0,83  =  0,62

No segundo, o mesmo produto avaliado num horizonte mais curto. Com a constante de decaimento que produz L80 em 50.000 horas, o L90 dessa mesma curva cai em 23.600 horas. Mantendo a poluição alta mas com limpeza anual, e recalculando o LSF para esse horizonte menor:

fm  =  0,90  ×  0,969  ×  0,91  =  0,79

No terceiro, o produto com CLO validado, de volta às 50.000 horas, com limpeza a cada dois anos em vez de três. O LLMF passa a um:

fm  =  1,00  ×  0,936  ×  0,88  =  0,82

 

A mesma luminária compondo fatores de manutenção distintos conforme vida declarada, ambiente e regime de limpeza.

O intervalo entre 0,62 e 0,82 saiu da mesma luminária. Nenhum dos três é errado, e nenhum é transferível para os outros dois contextos. É por isso que perguntar qual é o fm de uma luminária é uma pergunta mal formulada: o fm é da instalação, do ambiente e do contrato de manutenção, com a luminária entrando como apenas um dos três fatores.

O que esse número custa no projeto

A potência instalada e a quantidade de pontos escalam aproximadamente com o inverso do fm. Sair de 0,70 para 0,85 reduz a necessidade em torno de dezoito por cento, o que numa via longa é a diferença entre orçamentos que não se parecem.

 

Potência instalada relativa em função do fm adotado, normalizada em 100% para fm de 0,80.

Esse é o ponto de atenção comercial mais importante do assunto: em concorrência, a proposta que adota o fm mais otimista aparenta resolver a via com menos produto e menos potência, e vence uma comparação que nunca foi feita em igualdade de condições. Antes de comparar propostas de fornecedores diferentes, o fm precisa ser normalizado, ou a análise está comparando premissas em vez de comparar produtos.

Há ainda uma tensão que aparece quando se leva a composição a sério. A NBR determina que a manutenção ocorra quando a iluminância média atinge 70% do valor inicial. Um fm de 0,62 significa projetar assumindo que a instalação vai terminar o período em 62% do inicial, ou seja, planejando operar abaixo do gatilho de intervenção da própria norma durante uma parte do ciclo. As duas coisas não fecham ao mesmo tempo: ou o período de projeto termina antes de cruzar os 70%, ou a manutenção precisa acontecer no meio dele, e nesse caso o fm relevante para o dimensionamento é o do subperíodo até a intervenção, não o do ciclo inteiro. Vale decidir isso explicitamente em vez de deixar a incoerência calada no memorial.

O outro lado dessa moeda é contratual. Um fm alto assumido sem plano de limpeza contratado e sem manutenção corretiva ágil é uma premissa que não se realiza, e o desvio só aparece anos depois, quando a via está fora de norma e ninguém consegue apontar o que quebrou. Em modelos de concessão e PPP isso é menos frágil, porque quem dimensiona também opera e é remunerado por desempenho medido, o que alinha o incentivo. Em obra pontual com projeto de terceiro e manutenção de quarto, o fm otimista é o risco que fica órfão.

Fecha aí o ciclo do número digitado por hábito. O 0,80 automático não está errado por ser 0,80, ele pode até coincidir com a composição correta de um caso específico. O problema é que, do jeito que costuma ser adotado, ele não sabe qual é a vida declarada do produto, nem a temperatura de campo, nem o intervalo de limpeza, nem se existe alguém contratado para limpar. Compor os três fatores separadamente leva alguns minutos e produz um número que resiste a questionamento, com a vantagem lateral de deixar explícito quais premissas do projeto dependem de coisas que acontecem depois da inauguração.

 

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